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O XIII Encontro de Pesquisa em Educação FaE/UFMG ocorrerá entre os dias 16 a 20/10 na FaE/UFMG. Convidamos a todos para participa...


CARTA ABERTA E SOLICITAÇÃO DE AUDIÊNCIA PÚBLICA


A crescente escalada das múltiplas formas de expressão e de exercício de violências, opressões, discriminações, de todos os tipos, no âmbito da UFMG, representada no ato inaceitável do Trote, realizado na Faculdade de Direito no último dia 15 de março, é um fato grave e extremamente preocupante para a comunidade  universitária  e, também, para a toda a sociedade brasileira.

Vários de nós, signatários desta Carta, estamos, há anos, denunciando, criticando e dentro das nossas possibilidades reais, tentando concretizar ações de enfrentamento e de resistência a estas manifestações de ódio explícitas dentro de nossa comunidade e mesmo fora dela. Reconhecemos, contudo, que tais ações, como são frutos de nobres iniciativas pessoais e coletivas, de professores/as, discentes e servidores técnico-administrativos e seus respectivos Grupos de Pesquisa, Centros e Núcleos, terminam por ser, necessariamente, fragmentadas, pulverizadas e, infelizmente, ainda pouco efetivas para  inibir a difusão dessa cultura nefasta de  intolerância e ódio que vem se disseminando,também entre nós e no nosso país.

Entendemos ainda que chegamos  a  um  ponto  tal  de  gravidade  na  experiência  de impunidade em relação a estas continuadas manifestações de discriminação e de ódio (raciais, sexuais, classistas, geracionais, no mínimo), que francamente já revelam o seu caráter  abertamente  institucionalizado  na  UFMG.  Entendemos, assim, que é necessário e mesmo URGENTE que a administração central dessa valorosa universidade – seu Reitorado atual (e os demais que virão) - venha(m) a demonstrar, de forma inequívoca, o  seu  real  compromisso  com  a  interrupção  imediata  destas manifestações  de  ódio  e  com  a  difusão  efetiva  de  uma  cultura  que,  de  fato,  seja congruente com qualquer missão universitária: o  reforço e o apoio na construção de uma  cultura  universitária  baseada  na  pluralidade, na  democracia,  na  abertura,  na inclusividade, na transparência, no diálogo permanente e na participação cidadã.
 
Esclarecemos, de antemão, que, para além de desejarmos a punição exemplar para os estudantes que praticaram o Trote machista, nazista e racista na Faculdade de Direito, que viemos a público exigir da UFMG que venha a se  comprometer, transparentemente,  com  a  instauração  imediata  de  ações  que  se  constituam,  desta vez, em uma rede sinérgica, orquestrada, permanente e qualificada no escopo de seus pilares  –  ensino,  pesquisa  e  extensão  -  de  uma  real  POLÍTICA  INSTITUCIONAL  DE ENFRENTAMENTO A TODAS AS FORMAS DE OPRESSÃO, DISCRIMINAÇÃO E VIOLÊNCIA no  âmbito  da UFMG.  Estamos todos/as aqui, signatários  desta  Carta,  dispostos/as  a colaborar de  forma efetiva para a  construção  coletiva desta política  institucional em nossa Universidade. Porisso, solicitamos uma AUDIÊNCIA PÚBLICA ao Magnífico Reitor da UFMG, o Professor Clélio Campolina, onde poderemos abrir o espaço de interlocução com nossa administração central, no sentido de visibilizar e fortalecer tal intenção e também de colaborar diretamente com o início da sua formulação, que, em nosso entender, precisa ser imediata.

Destacamos ainda que estamos acompanhando,  muito  de  perto,  cada  um  dos desdobramentos do Trote da Faculdade de Direito, que antecipávamos  já a dilatação do prazo das conclusões da Comissão de Sindicância instaurada por mais 30 dias e que repudiamos veementemente tal atitude, pois a mesma só vem colaborar, e até mesmo incentivar, com o clima de permissividade, de impunidade que alimenta tal cultura de ódio entre nós. Salientamos, contudo, que vamos continuar a monitorar esse processo e seus desdobramentos finais, para que possamos, assim como foi feito com sinal negativo  colocar  a  UFMG  no  noticiário  nacional  e  internacional,  revelar  para  a sociedade de Minas Gerais, do país e do exterior, que temos sim um compromisso real com a construção de uma cultura acadêmica de e para os Direitos Humanos,  inclusive entre nós, na UFMG.


  

Belo Horizonte, 03 de maio de 2013.



Para assinar a carta procure o programa ações afirmativa na UFMG - Sala 1666 -  de segunda a sexta-feira de 14:00 ás 18:00 horas.  


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